Teste de integridade de cartuchos filtrantes: ponto de bolha e fluxo difusivo
Como funciona o teste de integridade de um cartucho filtrante: ponto de bolha, fluxo difusivo e decaimento de pressão, como umectar a membrana e quando testar.
O teste de integridade é um ensaio não destrutivo que confirma que um cartucho de membrana está íntegro — sem poros fora de especificação, fissuras ou vazamentos nas vedações — e que se comporta como os cartuchos que passaram no desafio bacteriano de validação. Para membranas hidrofílicas, como as de PES e nylon 6,6, os métodos mais usados são o ponto de bolha e o fluxo difusivo; o decaimento de pressão é uma forma indireta de medir a difusão.
Os três são feitos com a membrana umectada, antes e depois da filtração, e comparam o resultado com um limite que o fabricante tem de fornecer para cada grau e comprimento de cartucho. Neste artigo, explicamos como funciona cada método, quais erros o invalidam e o que os cartuchos LifePure e UltraPure declaram sobre integridade.
O que um teste de integridade demonstra
A retenção bacteriana de uma membrana é validada com um desafio microbiológico que destrói o filtro ensaiado, como contamos em filtração esterilizante: o que significa 0,2 µm. Para saber se o cartucho instalado retém da mesma forma, é preciso uma medição física que não o danifique e que esteja correlacionada com esse desafio: isso é o teste de integridade.
Um teste bem feito detecta:
- poros maiores que os do grau validado;
- danos na membrana, como fissuras ou perfurações;
- falhas nas vedações entre a membrana e as extremidades do cartucho;
- O-rings mal assentados na carcaça, que deixam passar fluido sem filtrar.
Por outro lado, ele não diz nada sobre compatibilidade química, adsorção ou extraíveis, e não substitui a validação do processo. Além disso, só vale se comparado com os valores de referência daquela membrana, daquela área, daquele líquido de umectação e daquela temperatura.
Como funciona o ponto de bolha
Em uma membrana umectada, o líquido fica retido nos poros por capilaridade. Para expulsá-lo com gás, é preciso uma pressão que cresce com a tensão superficial do líquido e é inversamente proporcional ao diâmetro do poro. Se a pressão de gás do lado de entrada for aumentada aos poucos, os primeiros poros a se esvaziar são os maiores. Nesse momento, o gás começa a passar de forma contínua e surge um borbulhamento constante do lado de saída: essa pressão é o ponto de bolha.
- Critério: o ponto de bolha medido tem de ser igual ou maior que o mínimo especificado para aquele grau.
- Vantagem: dá informação direta sobre o maior poro da membrana.
- Limitação: com áreas grandes — cartuchos longos ou carcaças com vários cartuchos —, o gás que se difunde antes do ponto de bolha é muito e a transição fica difícil de ler.
O líquido também conta. Um líquido de menor tensão superficial, como uma mistura com álcool, reduz o ponto de bolha da mesma membrana: os valores com água não servem se o cartucho for testado umectado com produto.
Como funciona o teste de fluxo difusivo
No teste de fluxo difusivo (forward flow), aplica-se uma pressão de teste fixa, abaixo do ponto de bolha, definida pelo fabricante. Nessa pressão, o gás não expulsa o líquido dos poros, mas se dissolve nele do lado de entrada, difunde-se através da película de líquido e é liberado do lado de saída. A vazão resultante, em mL/min, é proporcional à área umectada e ao diferencial de pressão.
- Critério: a vazão medida tem de ser igual ou menor que o máximo especificado.
- O que detecta: um defeito ou um poro fora do grau soma fluxo de gás livre, e o valor sobe acima do limite.
- Vantagem: avalia toda a área de uma vez; por isso é o método preferido para áreas grandes.
Como o valor depende da área, o limite muda com o comprimento do cartucho e com a quantidade de cartuchos na carcaça.
Decaimento de pressão
O decaimento de pressão (pressure hold ou pressure decay) é uma variante: pressuriza-se o lado de entrada até a pressão de teste, isola-se esse lado e mede-se quanto a pressão cai em um tempo fixo. A queda se deve à difusão, mais qualquer vazamento, e, conhecendo o volume a montante, é convertida em fluxo difusivo. Muitos equipamentos automáticos trabalham assim, medindo do lado de entrada sem intervir no lado filtrado. É sensível às variações de temperatura e ao volume da instalação.
| Método | O que mede | Critério de aprovação | Quando convém |
|---|---|---|---|
| Ponto de bolha | Pressão em que os maiores poros se esvaziam | Valor medido ≥ mínimo especificado | Cartuchos individuais e áreas pequenas |
| Fluxo difusivo | Vazão de gás que se difunde a uma pressão fixa | Vazão medida ≤ máximo especificado | Áreas grandes e carcaças com vários cartuchos |
| Decaimento de pressão | Queda de pressão a montante em um tempo fixo | Queda ≤ máxima calculada para esse volume | Equipamentos automáticos que medem do lado de entrada |
Como umectar a membrana para que o teste seja válido
Todos os métodos partem da mesma condição: a membrana completamente umectada, com todos os poros cheios de líquido. As membranas de PES e de nylon 6,6 são hidrofílicas e se umectam com água. Se sobrar uma zona seca, o gás passa por ela e o cartucho falha mesmo estando íntegro: é uma das causas mais comuns de uma falsa reprovação.
Boas práticas:
- Umectar com o líquido, a vazão e o tempo indicados pelo fabricante, e purgar a carcaça para que não fiquem bolsões de ar.
- Drenar o lado de saída antes de medir e deixar a temperatura se estabilizar.
- Remover bem o produto: resíduos de álcool ou de tensoativos reduzem a tensão superficial e alteram o resultado.
- Diante de uma reprovação, umectar novamente e repetir o teste antes de descartar o cartucho.
A carcaça tem de acompanhar, com respiro no ponto alto e dreno no ponto baixo. A carcaça sanitária SaniFlow STU-01, de aço inoxidável AISI 316L, vem com respiro e dreno com válvulas de conexão e desconexão para mangueira, que facilitam o teste do cartucho instalado.
Para membranas hidrofóbicas, como as de respiro e de filtração de gases, usam-se outros métodos, por exemplo a intrusão de água.
Antes e depois da filtração: quando fazer o teste
- Antes do uso: detecta danos do transporte, da montagem ou da esterilização a vapor, e confirma que o cartucho instalado é do grau correto e que os O-rings estão bem assentados. Na indústria farmacêutica, o Anexo 1 das GMP da União Europeia (revisão 2022) pede que o filtro esterilizante seja testado já esterilizado, antes do uso (PUPSIT), a menos que uma análise de risco justifique outra abordagem.
- Depois do uso: confirma que o filtro se manteve íntegro durante toda a filtração. O guia da FDA sobre processamento asséptico indica que esse teste deve ser feito como rotina e, em um processo farmacêutico, o resultado faz parte da liberação do lote.
Em vinho e bebidas, os cartuchos de membrana são sanitizados e reutilizados, então o teste se repete depois de cada sanitização ou ciclo de vapor e antes de cada filtração final. Detalhamos isso no artigo sobre estabilização microbiológica de bebidas antes do envase, e o percurso por etapas para vinícolas está na página de filtração para a indústria vinícola.
Se um teste falhar, convém umectar novamente, revisar os O-rings e o seu assentamento, a temperatura e os valores de referência, e repeti-lo. Se a falha se confirmar, o cartucho é substituído e avalia-se o que foi filtrado com ele.
O que o fabricante do cartucho tem de fornecer
Para montar o procedimento, são necessários os limites de integridade de cada modelo, grau e comprimento: ponto de bolha mínimo ou fluxo difusivo máximo, com a pressão de teste, o gás, o líquido de umectação e a temperatura. Nos graus esterilizantes, esses limites têm de estar correlacionados com a retenção bacteriana validada. A rastreabilidade também importa: lote, modelo e grau de cada cartucho.
Isto é o que os catálogos LifePure e UltraPure declaram sobre integridade:
| Modelo | Teste na planta segundo o catálogo | Para o usuário |
|---|---|---|
| LifePure Plus F&B | 100 % dos cartuchos testados quanto à integridade | Valores de fluxo difusivo e ponto de bolha para repetir o teste |
| UltraPure F&B | 100 % testados; integridade controlada na origem por fluxo difusivo | Valores de fluxo difusivo e ponto de bolha para repetir o teste |
| UltraPure Plus F&B | 100 % testados; integridade controlada na origem por fluxo difusivo | Valores de fluxo difusivo e ponto de bolha para repetir o teste |
| LifePure Plus Pharma | 100 % testados, por fluxo difusivo e ponto de bolha | Certificado de qualidade por cartucho e guia de validação |
| LifePure Protec Pharma | 100 % testados | Certificado de qualidade por cartucho e guia de validação |
| UltraPure Plus Pharma | 100 % testados, por fluxo difusivo e ponto de bolha | Certificado de qualidade por cartucho e guia de validação |
| UltraPure Protec Pharma | 100 % testados, por fluxo difusivo e ponto de bolha | Certificado de qualidade por cartucho e guia de validação |
Outros três modelos declaram isso com outra redação: o LifePure F&B, integridade controlada na origem por fluxo difusivo; o LifePure W, integridade testada na planta; e o LifePure W Graduada, integridade testada na planta sob pedido. Os catálogos não imprimem os valores numéricos: solicite-os para o modelo, o grau e o comprimento que você vai usar.
Como ajudamos você com o teste de integridade
Se você está montando o procedimento de integridade da sua planta ou precisa dos valores de referência de um cartucho LifePure ou UltraPure, escreva para a nossa engenharia informando o modelo, o grau, o comprimento e o líquido de umectação, e revisamos isso com você.
Perguntas frequentes
Que equipamento é necessário para o teste de integridade?
O teste pode ser feito com uma fonte de gás regulada, um manômetro calibrado e um medidor de vazão de gás. Em processos regulados, usam-se equipamentos automáticos que pressurizam, estabilizam, medem e registram o resultado, e esse registro fica arquivado no dossiê do lote.
Com que gás o teste é feito?
Com ar comprimido ou nitrogênio, filtrados e secos. Convém usar o gás indicado na especificação do fabricante, porque o fluxo difusivo depende de quanto esse gás se dissolve no líquido de umectação.
O que pode danificar um cartucho entre um teste e o seguinte?
Picos de pressão, fluxo reverso, ciclos de vapor fora de condição ou um fluido incompatível. Os catálogos LifePure e UltraPure limitam a pressão diferencial a 5,5 bar no sentido direto e a 0,69 bar em fluxo reverso, ambas a 25 °C. Também reservam o vapor para os cartuchos abertos em apenas uma extremidade (configurações B a E).